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terça-feira, 23 de agosto de 2011

20-08-11 Inauguração A VIAGEM DAS CORES DE ABÍLIO MARCOS

Temos hoje uma exposição de Abílio Marcos que de Sintra nos traz estas 16 telas que, de comum, têm uma excelente conjugação de cores a justificar a denominação que o autor dá a esta exposição, “A Viagem das Cores”. Tal mestria já justificaria a nossa admiração. Todavia, também o trabalho de execução merece o nosso aplauso, dado o cuidado com que tais cores são conjugadas com a forma. No trabalho de Abílio Marcos advinham-se formas que nos transportam à visão de aglomerados urbanos, trechos da natureza, passagens para não importa o quê.
É uma pintura que não está fora da realidade nem deixa de ter que ver com o nosso quotidiano. Pelo que, também por isso, a obra do pintor justifica-se e justifica o nosso agrado por ter que ver connosco e com a realidade que nos circunda.
Não procuraremos no expressionismo americano, nem nos do manifesto-abstracto, nem mesmo em Kandinsky as raízes desta pintura. Abílio Marcos que andou pela América e pela Europa, lá terá as suas influências. Porém, o que aqui se vê é uma obra original que vai desde as técnicas do óleo sobre tela até à incorporação de outros materiais, tudo conjugado em jogos de cores e formas, que nos enchem o olhar.





 O autor das tela, Abílio Marcos

 Abílio Marcos explicando o significado de algumas obras









 Kim Berlusa pede opinião a Abílio Marcos sobre as suas obras




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Abílio Marcos, pintor

Os críticos oficiosos têm dele dito coisas muito bonitas, eruditas e por vezes contraditórias: que é impressionista, abstracto lógico, pós-expressionista geométrico, utilizador de metodologia naturalista, sei lá que mais! Bem, se é esse o papel do crítico estou completamente fora da especialidade porquanto, sendo consumidor e apreciador de arte, tento interpretá-la e julgá-la através das sensações e emoções que a sua observação provoca. Quero dizer que o melhor critério para catalogar o artista se aproxima do dilema gostar, ou não gostar. Evidentemente, o conhecimento da história da arte e das influências visíveis numa determinada obra são importantes referências para avaliar da sua técnica e originalidade.

É altura de afirmar sem mais delongas que a pintura do Abílio é uma pintura de que se gosta…muito! Por variadíssimas razões. Primeiro, o ser humano na sua simplicidade e humildade perante a grandeza da obra criada. Segundo, o trabalhador da pedra com mãos rigorosas e ferramentas precisas que talham as formas convenientes, e são a sua escola de vida e de belas-artes. Terceiro, o viajante de outras geografias, EUA e França, onde os grandes espaços e mentalidades abertas lhe forjaram uma inspiração atípica do país onde nasceu. Abílio Marcos é o pintor das grandes estruturas urbanas, industriais, metafísicas e poéticas, estas últimas exclusivamente abstractas, assim mesmo, sem nada que as justifique ou a que devam comparar-se para se tornarem compreensíveis. Belíssimos gritos no mistério da vida!

As estruturas são sempre projectadas na vertical, ou na horizontal. No primeiro caso vemos as imagens com o olhar tridimensional divagando no visível. No segundo caso vemos os mapas e radiografias de imagens irreconhecíveis pela distância a que se vêem. Não é que o Abílio Marcos se deixe fascinar pelo absurdo abstracto da criação inconsciente, ou subconsciente. Nitidamente, ele prefere as grandes estruturas do conforto ocidental. Os arranha-céus, as redes viárias sobrepostas, os efeitos de luz, o branco ou negro em fundo frequente como se a obra fosse gerada do nada, ou da noite.

Surpreende ainda na obra do Abílio a paleta da cor. Utiliza o espectro luminoso em toda a sua amplitude e tonalidades, do neutro inefável ao forte provocador com um denominador comum de harmonia e mestria. Atrevo-me a dizer que o Abílio Marcos, detentor de excelente técnica, aliás apoiada por uma invulgar inspiração de longo curso que vai do quase naturalismo ao pleno simbolismo abstracto e poético, corre muito bem o risco de vir a ser considerado um dos maiores pintores portugueses da actualidade.

Armando Taborda ( Escritor, poeta )
Lisboa, 2007 Março 10